27/03/2026 às 15h45 - Atualizado em 27/03/2026 às 15h48

Inas foca na prevenção e vai ampliar serviço de telemedicina

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Instituto gestor do GDF Saúde dará mais atenção a doenças crônicas, com médicos de referência, e à saúde mental do servidor e dependentes

O GDF Saúde, plano administrado pelo Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Distrito Federal (Inas), anunciou nesta sexta-feira (27) duas importantes novidades para os seus 105 mil beneficiários. A primeira: ofertar mais serviços da chamada atenção primária à saúde. A segunda: ampliar o leque de atendimento da telemedicina para especialidades voltadas ao tratamento e cuidado mental do servidor. 

“São iniciativas importantes tanto para a saúde do plano quanto para a saúde dos usuários”, destaca Rodrigo Gonçalves, diretor-presidente da instituição. O gestor foi o convidado da tradicional live Tempo de Refletir, organizada pela Secretaria-Executiva de Valorização e Qualidade de Vida (Sequali) da Secretaria de Estado de Economia (Seec). A íntegra do bate-papo, comandado pelo secretário-executivo Epitácio Júnior, está disponível neste link

Fotos: Kélvia Tiba/Sequali/Seec
 

A decisão de incluir a Atenção Primária à Saúde (APS) no dia a dia do GDF Saúde é motivada pela necessidade de ofertar uma medicina mais preventiva e holística. “Os pacientes cardiopatas, diabéticos ou com outras doenças crônicas terão um médico de referência para acompanhá-los. É um ponto focal de auxílio, de orientação”, reforça Rodrigo Gonçalves. “É bom para o plano e para o beneficiário, que terá um acompanhamento a par e passo para corrigir rotas de medicamentos ou tratamentos”, acrescenta.

A APS, como é conhecida a prática, é primeiro nível de atenção em saúde e se caracteriza por um conjunto de ações, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos e, enfim, a redução de danos.

Além disso, o GDF Saúde vai expandir as especialidades em telemedicina na área psicossocial  para tratar a saúde mental do servidor. A prática começou a ser adotada no GDF Saúde em outubro (o mês dedicado ao servidor) do ano passado. Hoje, duas empresas prestam serviço ao Inas. Como não há, obviamente, limitação territorial, o atendimento foi nacionalizado (por lei, o plano de saúde é restrito ao DF) e retira o paciente do ambiente hospitalar em casos mais simples.

Epitácio Júnior, secretário-executivo da Sequali, lembra que a iniciativa pode reduzir a carga de pressão sob a Subsecretaria de Saúde (Subsaúde) da Seec para a gestão da qualidade de vida no trabalho, reduzindo, por exemplo, o absenteísmo. No ano passado, apenas em psicoterapia o GDF Saúde realizou 225 mil sessões. A maioria, para servidores de três áreas: saúde, educação e segurança pública, devido à responsabilidade e especificações do trabalho delas.

Atendimentos 

O GDF Saúde cresce a cada ano. Em 2021, realizou 191 mil atendimentos. Em 2025, por exemplo, chegou aos 1,4 milhão de atendimentos. “E em um universo amplo, que vai desde ao exame mais simples a uma operação complexa e completa”, conta Rodrigo Gonçalves. 

O plano - criado em outubro de 2020, durante a pandemia de Covid-19 - tem uma carteira de 105 mil vidas atendidas (servidores e dependentes). De prestadores de serviços (clínicas, hospitais, laboratórios) são 3 mil diretos e indiretos. “Isso garante a suficiência de rede. Os grandes hospitais continuam nos atendendo”, reforça ele. O Inas tem 207 servidores e agrega à economia hospitalar do Distrito Federal mais de R$ 1,5 bilhão por ano. 

Dificuldades 

Rodrigo Gonçalves, há 16 anos empossado como auditor de controle interno do GDF, sabe que tem lidado com dificuldades. Mas destaca que elas não põem em risco o GDF Saúde. “Falando da questão do atendimento, por exemplo: falhas acontecem por razões multifatoriais, mas o coração do Inas é fornecer o melhor tratamento para o servidor”, ressalta. 

Ele informa que algumas destas dificuldades ocorrem, por exemplo, com o uso das OPMEs, sigla para órteses, próteses e outros materiais não comuns para uso em cirurgias. Elas exigem a liberação de duas guias em razão do custo alto, o que exige cotação de mercado, e da tripla preocupação: atendimento ao usuário, qualidade do material e os custos e sustentabilidade para o plano. “Nosso plano de saúde não visa o lucro, mas sim abraçar o beneficiário e estar com ele até o fim da vida.” 

E em relação às queixas de usuários sobre descredenciamento de prestadores de serviço? O diretor-presidente do Inas lembra que o ciclo contratual de cada empresa é, no máximo, de 60 meses - conforme a Lei nº 8.666. “No final de 2025, tivemos que fazer uma renovação ampla do leque de credenciados em função desse prazo”, informa. 

Vários prestadores, especialmente aqueles que não tinham fluxo de beneficiários os procurando, foram cortados. Outros optaram por sair. E alguns não apresentaram documentos para a renovação do credenciamento. “Apenas 226 saíram, e a maioria de baixo fluxo, que nem faturaram”, esclarece. 

Sobre as mudanças nos conselhos de gestão, Gonçalves explica que existem dois deles: o de Administração e o Fiscal. Este último cuida das questões contábeis, financeiras. O primeiro é responsável por, entre outras funções, a aprovação do rol de procedimentos. Ambos são preenchidos com indicações do GDF e dos beneficiários. “A recente troca de cinco conselheiros se deu por iniciativa das entidades de classe - e por razões delas próprias. Não teve ingerência política, só de gestão, num fluxo totalmente natural”, salienta.